Proponho-me aqui dar a minha visão sobre o assunto, e não tanto reproduzir uma apresentação à guia turístico, como acabei por fazer então. Afinal, sempre que bem intencionados, não devemos deixar escapar nenhuma oportunidade. E porque o fim é bom, o meio justifica-se!
Não conhecia a problemática em detalhe, ainda que já estivesse mais que minimamente familiarizado. Desde logo por razões geográficas: ainda recordo um ou dois passeios de carro com a mãe para aquelas bandas. Depois, por iniciativa pessoal, em pesquisas pontuais na internet a fim de saciar a justificada, imperfeita curiosidade. Ah, o espanto e a confusão... a magia(!) que foi não perceber se ali, naquele imenso espaço a Este do Guadiana, estava em Portugal ou já em Espanha!! Enfim: lembra-me aquele dizer que toda a regra tem a sua excepção a confirmá-la… e não é que, no caso ibérico, até a fronteira entre as duas nações de tal não se livra?!
Mas que sucedeu afinal? Vejamos por alto: Portugal reivindica à Espanha a entrega do território, que tem esta como sua soberana de facto ilegitimamente – desde 1817, pelo menos. E Portugal fá-lo de forma muito discreta, passiva. Para não dizer pontual, porventura ocasional até. Importa-me dizer que faço esta consideração baseando-me estritamente numa óptima mediática: ou não soubesses tão bem quanto eu que, neste nosso mundo massificado de hoje, o que não aparece não existe!
A trama jurídica é extensa, complexa. Mas não é complicada de perceber, desde que se o procure fazer de forma cronológica. Missão que deixo para ti, na benévola crença de que as minhas palavras te inflamem a curiosidade para o assunto.
Só me ocorre, por ora, problematizar sobre o próprio problema… Que espécie de nação é a nossa, que tão desavergonhadamente se permite abrir mão do que é seu para a poderosa vizinha em surdina? Como podemos, sequer, ousar preparar o futuro, sem resolvermos o passado? Temos 100 marcos de fronteira por colocar, vamos lá ser pragmáticos… Acabe-se, pois, de uma só vez com esta normalidade anormalizada: que falem os dois chefes de estado, os dois ministros dos negócios estrangeiros e, ultrapassando a vergonha óbvia que sentem, decidam definitivamente e a bem: reconheçamos nós a soberania espanhola sobre as terras oliventinas ou queira a imensa Espanha devolver-nos de bom grado o que é nosso. Terceira via, e pacífica? Pois também a há, claro: referendo aos oliventinos. Não haverá ressentimentos, seja o resultado qual for – cá na Ibéria não nos permitiríamos esquecer simplesmente, de um momento para o outro por interesse, que a Revolução Francesa (1789) já amadureceu; que a democracia é hoje, imperiosamente, mais livre e respeitada.
Infelizmente nem tudo corre nesta vida como sucederia se dependente fosse, apenas e tão só, da nossa própria vontade. Estou portanto a dizer-te que, apesar da visível frieza algo despudorada de que se revestem as minhas palavras na análise suprafeita – e dizendo-o numa ideia –, não ignoro o mundo real. Não ignoro a política do meu país – ao menos essa, sim! –: não ignoro o governo diariamente descredibilizado com ministros (Primeiro inclusive) arrogantes e dúbios na sua compostura – acção e comunicação, digo – enquanto decisores políticos, em particular o senhor ministro dos negócios estrangeiros – inteligente, contudo desaconselhado pelo seu médico a grandes viagens, por motivo de saúde (ou, melhor, dizendo, de sua falta); não ignoro também, e forçosamente, o presidente da república, digníssimo e fidelíssimo representante dos portugueses conforme provou na sua reportagem organizada mais recente, a cargo da Original [sic]: tem um retrato do papa no gabinete, aprecia boa comida portuguesa e até pagamos para lhe seleccionarem o essencial das notícias dos jornais, dia após dia – sabê-lo foi para mim um choque tão interessante quanto preocupante, naturalmente. De facto, na nossa república da medíocre regular funcionamento das instituições, o pior que pode acontecer a respeito de Olivença é mesmo o que já ocorre – nada.
Ah! E já agora, para te deixar atormentado com a beleza do horrível , deixo-te com a cereja no topo do bolo: o brasão da dita ciudad é, obviamente, único em toda a España. Mas atenção: é-o, mais que por outro motivo, pela sua coroa castelar cimeira – bem ao estilo português, de facto! Agora… será mesmo Olivença muy noble, notable y siempre leal?
_svg.png)
Sem comentários:
Enviar um comentário