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terça-feira, 12 de maio de 2009

obstinação

Nestes últimos dias quase dou por mim a gostar de ler, a querer ler... a querer aprender a gostar de ler, até! O motivo? A Feira do Livro de Lisboa. Pormenores? Sobre a feira não vale a pena: consulte-se o site oficial do evento, que eu definitivamente não sou a pessoa indicada para prestar qualquer tipo de esclarecimentos (nem tão-pouco este é o espaço certo para tal, como facilmente se percebe).
Esta é quase que uma estreia absoluta num evento do género para mim, sendo-o por inteiro no que respeita à cidade em que tem lugar. E a verdade é que já visitei a dita feira várias vezes desde que decorre – e o mais certo é assim voltar a ocorrer até o seu término. Dito isto, segue-se a parte "engraçada", mas nem por isso alegre: faço-o não por prazer na leitura, mas por necessidade e oportunidade: quantas possibilidades se tem por ano de adquirir livros de qualquer espécie e feitio, seja para que finalidade for, e independentemente da nossa motivação para os adquirirmos?
De longe, o momento mais movimentado à hora em que lá estive foi no Domingo passado, entre as 17h e as 18h, e nunca me tinha acontecido encontrar-me fisicamente rodeado por uma multidão que só falava de livros e autores. Não que seja mau, pelo contrário – só me entristece que Portugal só seja cultural em determinadas “feiras”, e não por iniciativa, alta recreação, logo que me veja “atento, venerado e obrigado” a escrever, a postar coisas como esta no meu blog. Lembro-me que entretanto pensei para mim – e egoisticamente, confesso –: mas será que esta gente gosta toda assim tanto de ler, ou é como eu, ou pior ainda? Recordo que estava lá por necessidade e oportunidade, e não para exibir social, publicamente até, os meus conhecimentos de livros, autores e outras coisas que tais. (Parcos, mas isso nem tenho de confessar, que é já óbvio para o leitor.)
Agora, um outro ponto. Outra coisa que certa é também: lá por não gostar de ler não quer dizer que não saiba dar valor aos livros: já se percebe pelo discurso que não tenho como fazê-lo em função do conteúdo em si – será essa, por ventura, uma tal capacidade voluntária ou involuntária que me falta –, pelo que falo mas é da obra como objecto concreto, como bem, peça de valor, que importa inteligentemente estimar. "Um livro é sempre um valor", cedo me ensinou minha mãe, e já diz o ditado que "bom filho a casa torna". Nem que seja só em termos de um ou outro valores que os pais nos legam – chama-se/chamam-lhe/há quem lhe chame Educação, de resto. Sim, porque há quem entenda que deve rejeitá-los – aos valores, quando não aos livros também, que afinal de contas é sobre estes que me importa aqui falar –, não faltando quem o faça de todo, aliás. No que a mim respeita, posso dizer que é uma daquelas coisas que nunca duvidei. Não é o meu caso de facto, para clarificar: ler e conservar custa-me igualmente, e não nego nem diminuo o valor a nenhuma destas duas atitudes.

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