Infelizmente, nem todas as novidades constituem real novidade. Nunca achei grande piada a jornais, mesmo a gratuitos, e perguntava-me como tinham as pessoas paciência, vontade, disponibilidade (seja o que for) para "perder tempo pondo-se a par de pretensas notícias do dia anterior". Mais: nem tampouco conseguia entender o(s) porquê(s) de, numa sociedade da tv e da internet como a nossa, as pessoas continuarem a seguir as pisadas dos antepassados mais directos ao procurarem jornais, sendo os de tiragem diária autênticos monstros "contra-natura" pelo desperdício de papel que representam; para já nem me debruçar demasiado sobre o aspecto do "que sai do bolso", pois que é certamente um hábito insustentável para muitos cidadãos em tempos como estes – de crise.
Quão ingénuo! De facto, o mal aqui, salvo o ponto “impacto ambiental negativo”, era só na minha cabeça... E tudo graças ao novo jornal diário português, o i: um euro diário muito bem investido. Digo eu.
Dizem por aí que em formato é semelhante ao ABC, jornal espanhol, e que é único no seu género no nosso país. Não pude deixar de encontrar alguma coisa que me fez pensar na boa Courrier Internacional, revista mensal que assino e que, curiosamente, existiu sob forma de jornal semanal durante a maior parte da sua vida até à data. Até ao momento, permito-me destacar a inesperada curiosidade que considero ser a Nós Românticos, aquela que foi "a primeira de um projecto de 50 revistas sobre Portugal e os portugueses" previstas portanto como suplemento durante os 50 primeiros sábados de existência do i; elejo ainda a entrevista pela ímpar Maria João Avillez a Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, desculpando-me com o riso em mim provocado pela inocência das suas confissões – sobretudo quando o assunto é a amizade com o Presidente Cavaco Silva, com o qual eu mesmo sou aparentado até – para não destacar a muita e credível informação que obtive por qualquer um dos espectaculares artigos da "secção" Zoom.
Naturalmente que não tenho qualquer experiência para fazer juízos acerca de jornais; ainda assim, disponho-me agora correr o risco de ser superficialmente óbvio: para jornal diário o tamanho do i é impressionante; mas não o será menos que a excelência da qualidade da informação, apreciando-a quer ao nível do enquadramento dessa – falo do jogo de cores, caracteres e imagens de fotojornalismo, e mesmo da simples, banal publicidade –, quer no que concerne ao aspecto da quase ausência de gralhas nos textos, feito que considero excepcional para uma publicação que sai a cada 24 horas (excepto Domingos), recordo.
Gostaria de destacar a parceria com o jornal The New York Times, reconhecida referência mundial, que assegura além de um exclusivo todos os dias, pelo menos, também um suplemento às sextas-feiras com o melhor da semana do dito jornal, e em português. E, já agora, porque não dizer também o quão confortável é que a publicação seja agrafada – especialmente quando os dias são ventosos, ou até mesmo quando o chamamento da informação de um qualquer artigo do jornal se manifesta em nós ao caminharmos para uma entrada ou saída do Metro.
Acredito que o i tem tudo para vincar na sociedade portuguesa, contemplando neste meu juízo a pertinácia que desde as primeiras vezes vou crescentemente sentindo por visitar, algo regularmente até, o simples mas bem conseguido site, sem dúvida activo complemento ao jornal “tradicional” (parece que acabo de construir um paradoxo, não é?). E que pode muito bem conquistar um público como eu, que nem o Público sentia apetência para ler. Resta-me desejar longa vida a este projecto que perspectivo logrado e que, estou em crer, me vem ajudando desde quinta-feira passada a perceber o que é um jornal, e qual a sua real importância ainda hoje. 

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