Desculpa-me desde logo o neologismo titular, que não resisto: é que acabo muito provavelmente de dar os meus primeiros passos no pathos da literatura existencialista (e quão tardios se me desprendem!). Ainda que não seja de agora que acredite que passamos grande parte da nossa vida a fazer as perguntas erradas pelos motivos certos – erradas, sim, porque as respostas, de tão fáceis porque evidentes, podem causar-nos grandemente essa dor a que chamo "sentir a consciência", e se traduz de facto em ter a consciência consciência si mesma. Até porque nós somos o que somos; e somos, para além do que, ainda o que queremos ser. E assim se explica porque nunca somos como queremos; e se percebe de igual modo como pensar diferente é estar iludido, pois que desde que somos que somos mais que o que queremos...
A ventura deu-se a propósito de um projecto pessoal a que me venho entregando aos poucos, e que levou o meu irmão a recomendar-me um livro que devorei com prazer nestes três dias. O autor era-me um perfeito estranho, apesar de me soar familiar o seu nome e o da obra em causa, de qualquer modo. Não tenho dúvidas de que seria interessantíssimo, profundamente didáctico voltar a fazer dela estudo obrigatório num 10º ou 11º ano de escolaridade, pois que me lhe senti essa falta...
Não farei nem um juízo que seja sobre a obra, pois tenho perfeita noção de que, tanto valendo per se, nenhum valor acrescentado lhe poderia ser por algum meu comentário. Eis apenas uma citação, estimulante, para meditares,
«Quem é fiel a uma certeza e a pode ver quando lhe apetece? A fidelidade é então só teimosia ou cedência à parte convencional da “nobreza de carácter”, da “honradez”. Não é isso, não é isso que eu quero.»

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