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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

agastamento

O 5 de Outubro está a chegar uma vez mais e a nossa República faz 99 anos enquanto “regime mais que in facto”, por assim dizer. Ora, eu não sei se é por estar a ficar velhinha, mas… quer-me parecer que anda frouxa! Aliás, tanto o anda que vezes há que mais parece que estamos numa República, sim senhor, mas de bananas. Ou pelo menos assim sou levado a pensar por factos mais ou menos recentes como sejam a recente ascensão a terceiro lugar no nosso parlamento do CDS-PP, partido que é quase que disfarçada, sonegadamente até, pela não laicidade estatal (democratas-cristãos, recordo) – valor a que nos acostumámos desde 1911, e que, como já referi no post anterior, a meu ver é tão extraordinariamente necessário quanto indispensável ao bom funcionamento das nossa instituições políticas –, ou ainda por declarações como a que o Presidente da República fez há dois dias, a propósito do caso das escutas. Falarei agora apenas deste último.
Antes de passar ao tema, e só mesmo para que conste, dizer desde já que há coisas que não deveríamos mesmo ter de escutar. Pelo menos de certas pessoas, mais que não fosse pela esperada seriedade das funções que empossaram. As palavras do nosso magistrado superior não me convenceram de todo: porquê, então, demitir o seu assessor antes de se pronunciar, e porquê não se pronunciar antes das eleições, tendo plena consciência que iria prejudicar sobretudo o “seu” partido, o PSD? É que, como veio agora dar a entender, afinal até concordará com o primeiro-ministro quando este havia nomeado o caso “disparate de Verão”. Ah, mas espera: descobriu-se um e-mail de Abril de 2008! Que aborrecido, senhores governadores da República Portuguesa!
Bom: e enquanto tudo isto, espanto-me, pude ainda confirmar a minha suspeita de que o PSD não é definitivamente um partido familiarizado com os ditas novas tecnologias: se Ferreira Leite já tinha vindo admitir-se pouco à vontade com o “PowerPoint” das câmaras, Cavaco Silva veio agora confessar em público ter perguntando a si mesmo se seria possível o seu electronic-mail presidencial não ser seguro… Que raio de modernidade esta a que Portugal chegou com a República, em que o P.R. desconhece essa realidade contemporânea generaliazada que dá pelo nome de pirataria informática! Definitivamente, é por estas e por outras que sou cada vez mais monárquico e menos republicano: então não é que começo mesmo a acreditar que estas coisas não aconteceriam com um bom rei? Pois se acontecem com um Presidente da República pretensamente bom… E mudaram os nossos antepassados de regime para isto! Ai se eles soubessem… Enfim: que momento chato da nossa futura história política e social, pois que virá a ser lembrado o quase centenário da implantação da República neste claramente vergonhoso contexto presente. (A propósito: sugiro que vejas o próximo Câmara Clara, esse programa da RTP2 de valor incalculável, e que este domingo me promete assaz interessante.)
Mas tenhamos esperança no futuro imediato, e não diminuamos o acontecimento. Além do mais – e parece-me oportuno atentar agora no feliz progresso que tal representa – lembremo-nos que o Homem já consegue viajar no tempo em matéria de tratamento da roupa. Apesar de nem sempre o conseguir garantidamente, também há que dizê-lo. Porém uma coisa é certa: o tira-nódoas, quando bom, é um produto milagroso, digno de idolatria e até da mistificação, porventura – seja pela rapidez do seu efeito como pelo efeito em si, reconstrutor e purificador. Pois então digo eu: que venham outros "tira" sempre que necessário; mas de bem, para bem de Portugal!

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