Aí está o que é: dois meses de férias para o 2.
É óbvio que viria mais descontraído sendo os resultados eleitorais de ontem diferentes! Não posso mesmo deixar de manifestar a minha admiração por esta nova realidade política nacional: um comunista que diz avançar e crescer, tendo na realidade saído a perder no “quadro institucional”; um “trotskista semi-reformado”, portanto mais moderado à partida, que vê duplicada a existência parlamentar do seu projecto político de esquerda alternativa rumo ao socialismo; um popular populista arrebatando um pouco sondado terceiro lugar na assembleia da república, espantando, claro está, pela adesão expressiva da população, ou não fossem a eloquente defesa da meritocracia, autoridade e bom senso estatal e económico tão sedutoras das massas por estes dias; a líder do maior partido da oposição, genuína senhora de clássicas maneiras e maneirismos que, contra todos os ventos e marés possíveis e imagináveis, e ainda mais alguns, consegue ainda assim ganhar a simpatia e confiança de mais cidadãos do que havia conseguido Santana, em 2005, tendo começado já alguns "maldicentes", ironicamente, a advogar a sua própria asfixia democrática no seio do partido; um José Sócra(te)s que, apesar de tudo – e inclua-se também o demérito da principal rival, claramente retrógrada, que admitiu por exemplo não dominar o “PowerPoint” para discursos (quereria a Dr.ª dizer “teleponto”?...), além de não querer ver espanhóis metidos na política portuguesa –, continua a ganhar a confiança do maior número de cidadãos eleitores portugueses, passando doravante a ter de fazer “avançar Portugal” de forma mais justificada, pelo menos. Assim vai este país em quase cem anos de República (e só se conta com o interregno salazarista para que os homens de Hoje possam fazer a festança do centenário, estou na verdade em crer...).
Quanto a mim, basta o conhecimento do quão gratificante foi ter feito do meu voto o do desempate técnico entre BE e CDS-PP na freguesia de Santa Maria de Marvão, para vantagem do primeiro. Aliás, juro que não compreendo o voto da maioria dos eleitores indecisos no CDS desta vez, no PP dos dias de hoje – nos democratas cristãos, portanto –, pois o estado português é laico desde 1911 e, para mim, tudo menos que isso seria um retrocesso flagrante. Talvez seja desta que vão retirar os símbolos religiosos de todos os espaços-públicos – à excepção dos "da casa", claro.
Arrisco, por último, profetizar um solitário governo PS de apenas dois anos, seguido de novo manifesto de sabedoria popular – ou sua ausência – após disputadas eleições para a presidência da república, as quais, prevejo, bipolarizadas como não há memória neste eterno mas sempre tardio pós-25 de Abril. E viva o bloco político deste nosso Portugal Democrático! 

Ao acompanhar regularmente a actualização do seu blog, quase me atreveria a apostar que o reconhecimento da sua originalidade embuída de precisão anaítica não tardará a ser aplaudida; tal é a qualidade dos seus escritos.
ResponderEliminarPorém, algo me perturba profundamente. É minha modesta ambição aprender mais consigo, seguindo a linha de pensamento que vai apresentando dia a dia. Não querendo esquecer que alerta os leitores para o facto de ser "superficialmente incoerente", há pormenores "fracturantes" que saltam à vista, até do mais distraído leitor e que considero típicos de alguém que não reúne ainda maturidade suficiente para expor-se como esclarecido analista da sociedade. Como pode lançar algum tipo de reprovação ao discurso meritocrata de Paulo Portas quando, poucas linhas abaixo, em post's anteriores, evidencia alguns tiques de discriminação académico-profissional e socio-económica? Porventura considera a sua construção argumentativa mais racional e pragmática que aquela que nos apresenta o CDS (que tem como finalidade a aplicação de pricípios no plano nacional , princípios esses, amplamente valorizados e reconhecidos como importantes para o avanço das sociedades. Mas farei um esforço por entender a sua posição: numa povoação com cerca de 300 habitantes é legítimo e desejável barrar a intervenção cívica e política a indivíduos como menos formação, impedindo-os de aplicar a sua originalidade e preocupação ao serviço da comunidade mas, por outro lado, é reprovável, populista e arremessador de massas, valorizar a iniciativa, o trabalho e a recompensa de quem faz um país avançar.)
Juro que não entendo a confusão que faz entre a actual postura do CDS no quadro partidário português e a inserção do termo religião nessa sua argumentação. Que preocupação vem a ser essa? É um golpe baixo, típico de esquerda radical que só consegue recorrer a pontos fracturantes (maioritariamente ilusórios que comprometem a credilidade e inteligência do seu defensor pela simples razão se serem pronunciados; expõem o orador ao rídiculo pelo seu inteiro despropósito) Ponha a mão na consciência, recorde debates e intervenções de deputados do CDS e reconheça que não existe argumentação de carácter religioso (nem em sonhos, nem no II MUNDO).
Quando se refere à seduçãos das massas, em que patamar da sociedade se inclui?... se imagina? Acredita que os apoiantes do bloko de exkerda são, no seu todo, pessoas informadas e autónomas? Não há um pingo de entusiasmo, luta, recrutamento, simbolismo, alienação...nada? Cuidado com essas provocações. Vivemos numa democracia e não devia achar-se no direito de diminuir a escolhas do eleitorado que vive consigo lado a lado e tem tanto ou mais capacidade de compreender os fenómenos que o rodeiam do que o senhor. "Diz o roto ao nu".
Já que se interessa tanto por marcas históricas que ficam associadas a conceitos e objectos, em vez de tentar conjecturar cenários de implantação da teocracia em Portugal, podia fixar-se antes nas marcas associadas ao partido em que votou. Por mais descabida que essa tarefa lhe pareça (o facto de ser descabido parece não importar muito no II MUNDO).Tenha calma que o nosso país não irá sofrer retrocessos, a menos que entre por aí a dentro uma certa revolução. Mas é tudo gente reforrrrmada e moderrrrada, está claro. Não há nada a temer.
RUMO À COERÊNCIA E À MODERAÇÃO DA EXPRESSIVIDADE ISENTA; DESPREOCUPADA E IRRELEVANTE RELATIVA ÁQUILO QUE É IMPORTANTE E QUE MERECE UMA CRÍTICA PONDERADA POR QUEM REALMENTE PERCEBE DO ASSUNTO, que tal?
Deixe-me acrescentar que fica-lhe muito bem essa modéstia que propagandeia relativamente ao valor do seu voto para o desempate entre BE e CDS. É possível que tenha sido o último eleitor a chegar ás urnas. E a propósito; desempate e tal...não me diga que estava indeciso!...ah, que inconstante é este eleitorado; muda com o vento.
peço desculpa pelos erros presentes no meu comentário mas o entusiamo e a pressa falavam mais alto e agora é tarde para fazer uma errata.
ResponderEliminarI
ResponderEliminarApesar de nunca comentar, também sigo este blogue com alguma regularidade. Gostaria apenas de deixar uma nota, em jeito de resposta à excelente e fundamentada provocação de Sónia (e todavia demasiado irónica para o meu gosto; por outro lado, sou forçado a supor que merece crédito pela extensão do comentário, que terá certamente obrigado ao uso de alguma reflexão e tempo. Quem desdenhasse puramente, não se daria a tanto trabalho).
Antes disso, apenas umas notas:
- concordo quando diz que existe alguma imaturidade no discurso do autor. Afinal, assuntos desta natureza implicam o uso de linguagem mais ou menos hermética - porque é meramente técnica -, e o uso de determinadas terminologias pode induzir em erro ou demonstrar algumas confusões com os conceitos. Estamos a falar de política, retórica, sociedade, economia (mais sublevadamente, mas ainda assim economia), etc. É sempre necessário aprofundar, explicar, suportar muito bem o uso de certos termos, pois é esse conhecimento que permite suportar certos pontos de vista e tomadas de partidos (passe a expressão!);
- considero lícito da parte do autor sentir-se gratificado por verificar que o seu voto fez a diferença na sua área de voto. Afinal, nem toda a gente poderá gabar-se do mesmo, de sentir verdadeiramente a validade do seu voto. Ao passo que a maioria tem de confortar-se com a simples expectativa de ter contribuído para a sua causa, à sua medida. Perfeitamente justificável, nada sobranceiro e pouco permeável ao uso de ironias.
- não reconheço no discurso do autor - por vezes imaturo, é um facto - um ponto de vista autoritário ou snob. Considerar e observar deficiências no alheio não coloca o acusador automaticamente no prato oposto da balança, em posição de privilegiado, de mais conhecedor ou de melhor, em particular ou em geral. Ademais, a postura genuinamente desinteressada do mesmo, na nota introdutória do blogue, é francamente despretensiosa na medida em que se exclui antecipadamente de responder a qualquer comentário, debater pontos de vista, ou justificar formalmente os seus próprios (prova disso é o facto de não haver regularidade na postagem e de a ausência quase total de comentários não comprometa a sua continuação, o que remete desde logo para um monólogo/solilóquio, e menos para um espaço com direito de resposta (que obviamente não está truncado a quem deseje exercer esse "direito", consagrado que está na ferramenta que utilizo neste momento).
II
ResponderEliminarE, agora, sobre a suposta não argumentação de carácter religioso do CDS - com C de Cristãos, daqueles que são praticantes e discípulos da Igreja Católica Apostólica Romana: que deputado veio exultar Saramago a mudar de cidadania? Quem se sentiu ofendido pelas suas opiniões (que, de resto, não praticando pessoalmente nenhuma religião, me são altamente indiferentes e até repetitivas em dada matéria)? Quem propagandeia os valores da família? Que valores são esses? Da família monoparental não serão certamente. Ou da família com dois pais ou duas mães. Ou das mães solteiras (embora prefiram o aborto). O CDS é simplesmente um partido oportunista - não obstante o mérito que deve ser creditado a Paulo Portas, homem inteligente e culto, produtor de análises e referências. A questão aqui não é inteligência ou falta dela (como eu costumo dizer, o Papa deve ser uma pessoa inteligentíssima, e no entanto acha que é o enviado de Deus na Terra dos Homens). A questão é ideológica. As ideologias diferem, e tudo o resto advém das diferenças e afinidades entre si. O consenso ajunta minorias em maiorias, o desentendimento gera tragédias (guerras, genocídios, etc.). Sempre as ideologias, a forma de cada um ver a sociedade.
O PP é oportunista porque não acrescenta nada de novo, toda a gente sabe o que defende e quais os seus estandartes; a questão é que nem todos os tempos se compadecem com as suas bandeiras. Quando o descontentamento é aparentemente mais generalizado, o CDS encontra facilmente mais empatia no povo, aquele povo das feiras, que é tão povo quanto o outro povo mas que, digamos em abono da verdade, é um tipo de povo muito específico, que até pode ser expressivo em números, mas lá saber reconhecer traços mais e menos laicos em discursos de representantes partidários, não é bem a sua especialidade (a sua especialidade caberia ao CNO da sua área de residência identificar e fomentar).
Claro que o CDS é um partido retrógrado. Até pode ter boas ideias, como a da meritocracia, mas não podemos ignorar que, fundamentalmente - e não desejo cingir-me apenas aos pontos mais fracturantes - vai contra uma série de direitos adquiridos, nomeadamente da liberdade de cada um para se organizar socialmente e organizar a sua família (seja casando com alguém do mesmo sexo ou abortando enquanto o embrião ainda não é feto). Se é fracturante, a culpa não é minha. Mas não poderei deixar de falar nisso, só porque é fracturante. Fracturante é alguém ter esta opinião. Ainda estou para encontrar alguém que me saiba justificar laica, serena, lógica, humana e objectivamente por que motivo duas mulheres não podem adoptar uma criança, havendo 34 mil a morrer diariamente no mundo inteiro, a maior parte por doenças para as quais a cura já existe há muito tempo. Claro que é melhor passar ao lado destes pequenos pormenores "técnicos" e ir a coisas mais interessantes, tal como a meritocracia, a corrupção ou a atribuição errónea e altamente condenável de certos e determinados apoios sociais, para que uns trabalhem e os outros vivam parasitariamente à custa dos primeiros, alegres da vida e nada preocupados com isso, como se fosse a coisa mais normal deste mundo.
Por último, não sou o autor, nem o conheço de lado nenhum, nem partilho das suas simpatias políticas, que não me seduzem nem um pouco. Não gosto do Louçã, não aprecio blokos com kapa nem exquerdas com xis. Sou daqueles que não se intromete e que espera que não se metam com ele.