Acho que estou numa fase particularmente humanizada da minha existência. Dou por mim a reflectir sobre todo o tipo de questões e mais alguma, e isso faz-me sentir velho! Ou novo, já nem sei: talvez no meu caso a adolescência não tenha sido a dita "idade filosófica por excelência".
Todos os princípios de ano me levam a pensar o mesmo, de há alguns anos a esta parte: "tens de mudar, e para melhor!" Mas não é a vida uma constante mutação, para melhor? Se todos os dias me sinto mais esclarecido e menos ingénuo, a verdade é que também não deixo de me sentir vivo.
Interrogo-me muito sobre a morte ultimamente: não se trata de um estado de depressão ou melancolia, nem tão-pouco de tendências suicidas - que de certo me remeteriam para o domínio do empírico nesta matéria -, mas apenas de pura curiosidade. Mas terei tempo, como qualquer pessoa. Não é verdade?
Em todo o caso, entendo-me presentemente de algum modo conformado com o meu estado actual. Estado de vida e de pensamento sobretudo, digo. Também me sinto mais desperto para a música e, estranhamente, estou também a descobrir a leitura; contudo dou por mim mais anti-social, como agora é moda dizer: já não me dou a tantos trabalhos como antes para conhecer as pessoas. E por lhes me dar a conhecer. Até porque há sempre quem goze connosco, quem faça pouco desse nosso trabalho em particular.
Se o risco nunca me entusiasmou, o desconhecido continua a inspirar-me: jogar pelo seguro também pode ser evoluir. E porque assim é, fiz uma espécie de promessa este mês (e eu até nem sou dessas coisas, pois considero-me suficientemente honesto e confiável): que me dedicarei mais a quem gosto e a quem sei gostar de mim, e menos a quem gostava de gostar, e que gostasse de mim. Todos somos únicos, mas isso não parece chegar para que nos possamos dar todos bem. Verás que, no fundo, ainda continuo, me teimo inocente.

Sem comentários:
Enviar um comentário