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segunda-feira, 16 de março de 2009

decreto

Morra Israel. Vivam os Judeus, os Árabes, os Muçumanos e outros que tais. E mesmo os ateus e os agnósticos. (E já agora os confusos, os indecisos e os meros simpatizantes, claro.)
Terminei há dias um pequeno, simples trabalho sobre o conflito israelo-palestiniano e - assim julgo, pelo menos - passei a perceber tudo o que não percebia de todo - que não só há uma parte com razão como também há, afinal, uma solução óbvia para o dito conflito: é reconhecer o direito histórico dos palestinianos às suas terras e pôr termo à existência do Estado de Israel, encaminhando cada judeu para sua casa.
Pois esclareçamos os factos de uma vez: Israel não existe como Estado quase desde os tempos de David e Salomão, ao passo que a Palestina tem existido como Estado organizado como tal de facto, ao longo dos tempos, apesar da maior ou menor independência relativamente a vários poderes temporais (e mesmo espirituais, também). Os judeus foram perseguidos insistente, condenavelmente em toda a parte onde os tem havido ao longo dos tempos, é bem verdade e temos pena. E deveriamos ter vergonha e pedir todos desculpa, e jamais voltar a fazê-lo. De igual modo é preciso entender que os palestinianos não lhes fizeram propriamente mal, nem tão pouco têm culpa que Jerusalém também seja uma cidade religiosa capital para o judeísmo. Agora imaginem só que em vez de Jerusalém vos falo de Lisboa...
Por tudo isto (e, certamente, muito mais) me vi forçado a tomar partido palestiniano. Como podem estes, de resto, não enveredar por um confronto armado, violento quando a própria comunidade internacional se apresenta super erradamente ao lado do (in?)justo inimigo?
Como a certo ponto em The Palestine-Israeli Conflict nos diz um dos autores, o palestiniano Dawoud El-Alami,

«How can the Jewish people, whether in Holy Land or elsewhere, a people themselves so badly wronged within living memory, in conscience accept that the creation of the Jewish state has been achieved by the displacement and the continued agony of another people?»


1 comentário:

  1. este artigo merece uma análise detalhada.

    O bloguer começa por cometer uma espécie de antítese, parece-me, ao afirmar: “Morra Israel. Vivam os Judeus”. Mas que incrível e precursora solução terá a revelar-nos, para que os judeus VIVAM realmente, se ao longo da sua curta dissertação rejeita o Estado de Israel e, para além disso, rejeita sem conhecer a sua essência e , mais simples ainda, sem conhecer a sua história. E Tratarei de fundamentar isto já de seguida. Ok, vamos ignorar esta primeira expressão estilística que não deixa de conferir ao artigo um ar inconformista e ousadamente intelectual. Portanto, VIVAM TODOS!

    Passemos então a compreender as monumentais conclusões a que chega o bloguer. Conclusões de quem “passou a perceber tudo o que não percebia de todo”; no mínimo admirável! Digo, invejável!

    - “não só há uma parte com razão”
    Concluímos que um dos maiores dilemas que marca a actualidade não tem razão de ser. Já há muito tempo que esperávamos uma resposta tão positiva, folgada e…instintiva?

    - “afinal, uma solução óbvia para o dito conflito: é reconhecer o direito histórico dos palestinianos às suas terras e pôr termo à existência do Estado de Israel, encaminhando cada judeu para sua casa.”
    O que é que temos de fazer aqui? Vamos seguir o extraordinário projecto a que o nosso bloguer nos alicia? Vamos! Pronuncia-se ele relativamente a “direito histórico”…huuum, será um bom caminho para fazer frente a judeus? Não nos podemos esquecer que estamos numa de ajudar o lado palestiniano. Esse povo tão singularmente coeso e forjado por traços culturais únicos e evidentes! Todos nós admiramos esse povo ao longo da história (estarei a sofrer uma demasiada influência deste blogue? Talvez: um problema da escassez das fontes. Não, é mesmo ironia, é preciso que se note!) Quando tivermos posto termo ao Estado de Israel então vamos… hãã?? Pôr termo a quê? O que temos aqui? Isto não é uma proposta civilizada, ocidental e informada. Bem bem…O passo seguinte será “encaminhar cada judeu para sua casa.” Isto é uma resolução de mestre. Trate de especificar as respectivas moradas. Não será tarefa fácil, hã? ;) especialmente se quiser tratar do despejo dos judeus que já nasceram em Israel. Vamos encaminhá-los para a lua! Parece sensato e exequível.

    - “Pois esclareçamos os factos de uma vez”(heyy, atençãooo, vêm aí mais FACTOS): “ Israel não existe como Estado quase desde os tempos de David e Salomão”(que precisão, que vago. E a propósito: desde que altura podemos referir o conceito de ESTADO como o conhecemos hoje?), “ao passo que a Palestina tem existido como Estado organizado como tal de facto” (têm? Mas o quê? Sempre foi? E já lá estava a Civilização Palestiniana, exercendo soberania no Estado Palestiniano e implementando desenvolvimentos de várias infra-estruturas.

    - “Os judeus foram perseguidos insistente, condenavelmente em toda a parte onde os tem havido ao longo dos tempos, é bem verdade e temos pena.” AGORA DIZ QUE TEMOS PENA. (esta expressão soa um pouco gozona, vamos tentar ignorar). Segue-se a parte em que reconhece que os nossos judeus sofreram e blá blá blá, fica sempre bem . Agora é preciso frisar que “os palestinianos não lhes fizeram propriamente mal” aprecio a utilização do “PROPRIAMENTE”. Sempre dá uma conveniente margem de manobra.

    Concluímos que Israel é o (in?)justo inimigo. Vá, reflectir agora. Segue-se que a comunidade internacional está SUPER ERRADAMENTE errada (mas isso é sempre. Já sabemos que eles são uns animais que só agem por interesses). E vá, tolerem a violência legítima do povo palestiniano porque é preciso andar à porrada. É a hipocrisia de quem ecoa um discurso de simpatia para com as violências que marcaram a 2ªGuerra e Balcãs mas acaba por aderir às emoções do momento. Porque a Jihad até parece ser divertida, nós é que ainda não a percebemos bem não é?? (ironia outra vez: alerta para distraídos)

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