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sábado, 3 de janeiro de 2009

defesa

Descansemos o senso comum e exercitemos a nossa racionalidade: proponho um momento erudito neste meu blog. Trata-se duma daquelas dúvidas que na verdade não o são... Existe de facto um conceito de elitismo em Portugal?
É claro que sim. Em Lisboa é, até, muito fácil dar com ela(s). Tão certo como os lobbies nomeados por Alberto João Jardim (há já uns bons tempos), que de resto andam por aí à solta...
Será que um facto tão simples como seja este de falar d'uma(s) elite(s) me faz aceitá-la(s), e isso dando já como mais que certo que a(s) haja? Enfim, concordar com a sua existência? É claro que não. Jamais. Mas também... como em tudo na vida há um lado bom e um mau; apreciemos a RTP2, por exemplo, e deixemo-nos de lutar contra a literacia! O canal tem uma programação claramente inadequada para estação pública, já que começa por limitar o seu público a alguns, acabando por só interessar a poucos - os tais literados, se quiserem. Ou antes inteligentes, se preferirem. Talvez por isso eu nunca tenha gostado da maior parte dos programas que integram a grelha do canal - simplesmente não me despertam qualquer tipo de interesse.
Mas o problema aqui é que algo está errado, acho, pois sou a favor de um elitismo exclusivamente pessoal, conforme passo a explicar: acho que é bonita de ver, verificar, esta situação pela perspectiva mais respeitosa que nela consigo encontrar. Falo do aspecto de podermos encarar elite como sinónimo de disparidade, raridade, e nesse sentido reconheço que é, contudo, afinal plausível falar da unicidade de cada um e assim tomá-lo como pertencente à sua elite exlusiva. Parece-me este motivo mais que suficente para que também vós reformulásseis a vossa concepção de elite, pois deveria servir de pretexto para que todos olhássemos para todo o nosso semelhante com olhos realistas, estando portanto a considerá-lo raro, escasso, insubstituível mesmo, do ponto de vista do seu valor humano.
A minha elite é, então, um todo fragmentado, porque único e exclusivo; contudo é também um conjunto que todos abrange, na realidade - a minha elite somos todos nós, os genuinamente humanos. Nem nunca me chegou notícia de haver um único macaco que visse a RTP2.

1 comentário:

  1. hum...

    Ó "2", não sei se concordo contigo.

    A RTP2, apesar de não ser o meu canal de eleição, é o único canal em Portugal que passa desenhos animados realmente pedagógicos para crianças de todos os quatros canais, e não digo isto por brincadeira; um nível elevado na educação infantil...traz mais tarde benefícios no nível de literacia da geração...Um dia ainda hei-de "espreitar" se existe alguma tese sobre este assunto. Para mais é o canal que tem realmente programas culturais, e não essa lixeira cultural que são as novelas...

    Algo que defendo é que toda a gente deve fazer parte de uma elite intelectual que "inunde" este pais de iletrados, que disso se orgulham...veja-se as vendas desse(s) papel(eis) higiénico(s) imprenso(s) a que gostamos de chamar: Correio da Manhã, Jornal 24 H, O Crime (de todos este é o que têm o nome mais parecido com aquilo que realmente comete...contra a literacia nacional)

    Opinião Pessoal:
    - gostei dos temas que debates no blog;
    - não concordo com todas as tuas opiniões, mas a democracia é isso, saber ouvir (ler, ver, aceitar, etc.) os outros;

    Post Script: não sei se te importas que te trate por tu, não sou de muitas formalidades...

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